segunda-feira, 21 de abril de 2014

Historias do Brasil

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Historias do Brasil

01-Historia atual do Brasil

02-Historia : Tancredo Neves e sua morte

03-Tiradentes

04-INDEPENDÊNCIA DO BRASIL






Fundação

A descoberta do Brasil, em 22 de abril de 1500, pela esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, com destino às Índias, integra o ciclo da expansão marítima portuguesa. Inicialmente denominada Terra de Vera Cruz, depois Santa Cruz e, finalmente, Brasil, a nova terra foi explorada a princípio em função da extração do pau-brasil, madeira de cor vermelha usada em tinturaria na Europa, e que deu o nome à terra.
Várias expedições exploradoras (Gonçalo Coelho, Gaspar de Lemos) e guarda-costas (Cristóvão Jacques) foram enviadas pelo rei de Portugal, a fim de explorar o litoral e combater piratas e corsários, principalmente franceses, para garantir a posse da terra. O sistema de feitorias, já utilizado no comércio com a África e a Ásia, foi empregado tanto para a defesa como para realizar o escambo (troca) do pau-brasil com os indígenas. A exploração do pau-brasil, monopólio da Coroa portuguesa, foi concedida ao cristão-novo Fernão de Noronha.
A partir de 1530, tem início a colonização efetiva, com a expedição de Martim Afonso de Sousa, cujos efeitos foram o melhor reconhecimento da terra, a introdução do cultivo da cana-de-açúcar e a criação dos primeiros engenhos, instalados na recém-fundada cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, que no século 16 chegou a ter treze engenhos de açúcar. A economia açucareira, entretanto, vai se concentrar no Nordeste, principalmente em Pernambuco. Estava baseada no tripé latifúndio--monocultura--escravidão. A cana-de-açúcar, no Nordeste, era cultivada e beneficiada em grandes propriedades, que empregavam mão-de-obra dos negros africanos trazidos como escravos, e destinava-se à exportação.
Ao lado do ciclo da cana-de-açúcar, ocorrido na zona da mata, desenvolveu-se o ciclo do gado. A pecuária aos poucos ocupou toda a área do agreste e do sertão nordestinos e a bacia do rio São Francisco. No século 18, o ciclo da mineração do ouro e dos diamantes em Minas Gerais levou à ocupação do interior da colônia. A sociedade mineradora era mais diversificada do que a sociedade açucareira, extremamente ruralizada. Na zona mineira, ao lado dos proprietários e escravos, surgiram classes intermediárias, constituídas por comerciantes, artesãos e funcionários da Coroa.
Política e administrativamente a colônia estava subordinada à metrópole portuguesa, que, para mais facilmente ocupá-la, adotou, em 1534, o sistema de capitanias hereditárias. Consistia na doação de terras pelo rei de Portugal a particulares, que se comprometiam a explorá-las e povoá-las. Apenas duas capitanias prosperaram: São Vicente e Pernambuco. As capitanias hereditárias somente foram extintas em meados do século 18.
Em 1548, a Coroa portuguesa instituiu o governo geral, para melhor controlar a administração da colônia. O governador-geral Tomé de Sousa possuía extensos poderes, e administrava em nome do rei a capitania da Bahia, cuja sede, Salvador -- primeira cidade fundada no Brasil, foi também sede do governo geral até 1763, quando a capital da colônia foi transferida para o Rio de Janeiro. A administração local era exercida pelas câmaras municipais, para as quais eram eleitos os colonos ricos, chamados “homens bons”.
O papel da Igreja Católica era da mais alta importância. A ela cabiam tarefas administrativas, a assistência social, o ensino e a catequese dos indígenas. Dentre as diversas ordens religiosas, destacaram-se os jesuítas.
Invasões estrangeiras. Durante o período colonial, o Brasil foi alvo de várias incursões estrangeiras, sobretudo de franceses, ingleses e holandeses. Os franceses chegaram a fundar, em 1555, uma colônia, a França Antártica, na ilha de Villegaignon, na baía de Guanabara. Somente foram expulsos em 1567, em combate do qual participou Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro (1565). Mais tarde, entre 1612 e 1615, novamente os franceses tentaram estabelecer uma colônia no Brasil, desta vez no Maranhão, chamada França Equinocial.
Os holandeses, em busca do domínio da produção do açúcar (do qual eram os distribuidores na Europa), invadiram a Bahia, em 1624, sendo expulsos no ano seguinte. Em 1630, uma nova invasão holandesa teve como alvo Pernambuco, de onde estendeu-se por quase todo o Nordeste, chegando até o Rio Grande do Norte. Entre 1637 e 1645, o Brasil holandês foi governado pelo conde Maurício de Nassau, que realizou brilhante administração. Em 1645, os holandeses foram expulsos do Brasil, no episódio conhecido como insurreição pernambucana.

Expansão geográfica

Durante o século 16, foram organizadas algumas entradas, expedições armadas ao interior, de caráter geralmente oficial, em busca de metais preciosos. No século seguinte, expedições particulares, conhecidas como bandeiras, partiram especialmente de São Paulo, com três objetivos: a busca de índios para escravizar; a localização de agrupamentos de negros fugidos (quilombos), para destruí-los; e a procura de metais preciosos. As bandeiras de caça ao índio (Antônio Raposo Tavares, Sebastião e Manuel Preto) atingiram as margens do rio Paraguai, onde arrasaram as “reduções” (missões) jesuíticas. Em 1695, depois de quase um século de resistência, foi destruído Palmares, o mais célebre quilombo do Brasil, por tropas comandadas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.
Datam do final do século 17 as primeiras descobertas de jazidas auríferas no interior do território, nas chamadas Minas Gerais (Antônio Dias Adorno, Manuel de Borba Gato), em Goiás (Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera) e Mato Grosso (Pascoal Moreira Cabral), onde foram estabelecidas vilas e povoações. Mais tarde, foram encontrados diamantes em Minas Gerais. Um dos mais célebres bandeirantes foi Fernão Dias Pais, o caçador de esmeraldas.
Ao mesmo tempo que buscavam o oeste, os bandeirantes ultrapassaram a vertical de Tordesilhas, a linha imaginária que, desde 1494, separava as terras americanas pertencentes a Portugal e à Espanha, contribuindo para alargar o território brasileiro. As fronteiras ficaram demarcadas por meio da assinatura de vários tratados, dos quais o mais importante foi o de Madri, celebrado em 1750, e que praticamente deu ao Brasil os contornos atuais. Nas negociações com a Espanha, Alexandre de Gusmão defendeu o princípio do uti possidetis, o que assegurou a Portugal as terras já conquistadas e ocupadas.

Revoltas coloniais

Desde a segunda metade do século 17, explodiram na colônia várias revoltas, geralmente provocadas por interesses econômicos contrariados. Em 1684, a revolta dos Beckman, no Maranhão, voltou-se contra o monopólio exercido pela Companhia de Comércio do Estado do Maranhão. Já no século 18, a guerra dos emboabas envolveu paulistas e “forasteiros” na zona das minas; a guerra dos mascates opôs os comerciantes de Recife aos aristocráticos senhores de engenho de Olinda; e a revolta de Vila Rica, liderada por Filipe dos Santos, em 1720, combateu a instituição das casas de fundição e a cobrança de novos impostos sobre a mineração do ouro.
Os mais importantes movimentos revoltosos desse século foram a conjuração mineira e a conjuração baiana, as quais possuíam, além do caráter econômico, uma clara conotação política. A conjuração mineira, ocorrida em 1789, também em Vila Rica, foi liderada por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que terminou preso e enforcado, em 1792. Pretendia, entre outras coisas, a independência e a proclamação de uma república. A conjuração baiana -- também chamada revolução dos alfaiates, devido à participação de grande número de elementos das camadas populares (artesãos, soldados, negros libertos) --, ocorrida em 1798, tinha idéias bastante avançadas para a época, inclusive a extinção da escravidão. Seus principais líderes foram executados. Mais tarde, estourou outro importante movimento de caráter republicano e separatista, conhecido como revolução pernambucana de 1817.
Independência. Em 1808, ocorreu a chamada “inversão brasileira”, isto é, o Brasil tornou-se a sede da monarquia portuguesa, com a transferência da família real e da corte para o Rio de Janeiro, fugindo da invasão napoleônica na península ibérica. Ainda na Bahia, o príncipe regente D. João assinou o tratado de abertura dos portos brasileiros ao comércio das nações amigas, beneficiando principalmente a Inglaterra. Terminava assim o monopólio português sobre o comércio com o Brasil e tinha início o livre-cambismo, que perduraria até 1846, quando foi estabelecido o protecionismo.
Além da introdução de diversos melhoramentos (Imprensa Régia, Biblioteca Pública, Academia Militar, Jardim Botânico, faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia e outros), no governo do príncipe regente D. João (que passaria a ter o título de D. João VI a partir de 1816, com o falecimento da rainha D. Maria I) o Brasil foi elevado à categoria de reino e teve anexadas a seu território a Guiana Francesa e a Banda Oriental do Uruguai, que tomou o nome de província Cisplatina.
A partir de 1821, com a volta do rei e da corte para Portugal, o Brasil passou a ser governado pelo príncipe regente D. Pedro. Atendendo principalmente aos interesses dos grandes proprietários rurais, contrários à política das Cortes portuguesas, que desejavam recolonizar o Brasil, bem como pretendendo libertar-se da tutela da metrópole, que visava diminuir-lhe a autoridade, D. Pedro proclamou a independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga, na província de São Paulo. É importante destacar o papel de José Bonifácio de Andrada e Silva, à frente do chamado Ministério da Independência, na articulação do movimento separatista.
Primeiro reinado. Aclamado imperador do Brasil, D. Pedro I tratou de dar ao país uma constituição, outorgada em 1824. No início do seu reinado, ocorreu a chamada “guerra da independência”, contra as guarnições portuguesas sediadas principalmente na Bahia. Em 1824, em Pernambuco, a confederação do Equador, movimento revoltoso de caráter republicano e separatista, questionava a excessiva centralização do poder político nas mãos do imperador, mas foi prontamente debelado. Em 1828, depois da guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata, o Brasil reconheceu a independência do Uruguai.
Depois de intensa luta diplomática, em que foi muito importante a intervenção da Inglaterra, Portugal reconheceu a independência do Brasil. Freqüentes conflitos com a Assembléia e interesses dinásticos em Portugal levaram D. Pedro I, em 1831, a abdicar do trono do Brasil em favor do filho D. Pedro, então com cinco anos de idade.
Período regencial. O reinado de D. Pedro II teve início com um período regencial, que durou até 1840, quando foi proclamada a maioridade do imperador, que contava cerca de quinze anos. Durante as regências, ocorreram intensas lutas políticas em várias partes do país, quase sempre provocadas pelos choques entre os interesses regionais e a concentração do poder no Sudeste (Rio de Janeiro). A mais importante foi a guerra dos farrapos ou revolução farroupilha, movimento republicano e separatista ocorrido no Rio Grande do Sul, em 1835, e que só terminou em 1845. Além dessa, ocorreram revoltas na Bahia (Sabinada), no Maranhão (Balaiada) e no Pará (Cabanagem).
Segundo reinado. O governo pessoal de D. Pedro II começou com intensas campanhas militares, a cargo do general Luís Alves de Lima e Silva, que viria a ter o título de duque de Caxias, com a finalidade de pôr termo às revoltas provinciais. A partir daí, a política interna do império brasileiro viveu uma fase de relativa estabilidade, até 1870.
A base da economia era a agricultura cafeeira, desenvolvida a partir de 1830, no Sudeste, inicialmente nos morros como o da Tijuca e a seguir no vale do Paraíba fluminense (província do Rio de Janeiro), avançando para São Paulo (vale do Paraíba e oeste paulista). Até 1930, o ciclo do café constituiu o principal gerador da riqueza brasileira. A partir da década de 1850, graças aos empreendimentos de Irineu Evangelista de Sousa, o barão e depois visconde de Mauá, entre os quais se destaca a construção da primeira estrada de ferro brasileira, ocorreu um primeiro surto de industrialização no país.
A base social do império era a escravidão. Desde o período colonial, os negros escravos constituíam a principal, e quase exclusiva, mão-de-obra no Brasil. As restrições ao tráfico negreiro começaram por volta de 1830, por pressões da Inglaterra, então em plena revolução industrial. Finalmente, em 1888, após intensa campanha abolicionista, a chamada Lei Áurea declarava extinta a escravidão no país. Nesse período, houve uma grande imigração para o Brasil, sobretudo de alemães e italianos.
Na política externa, sobressaíram as guerras do Prata, em que o Brasil enfrentou o Uruguai e a Argentina, e a da Tríplice Aliança ou do Paraguai, que reuniu o Brasil, a Argentina e o Uruguai numa coligação contra o ditador paraguaio Solano López. A guerra do Paraguai (1864--1870), um dos episódios mais sangrentos da história americana, terminou com a vitória dos aliados.
A partir de 1870, a monarquia brasileira enfrentou sucessivas crises (questão religiosa, questão militar, questão da abolição), que culminaram com o movimento militar, liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, que depôs o imperador e proclamou a república, em 15 de novembro de 1889.
República Velha. A Primeira República, ou República Velha, estendeu-se de 1889 até 1930. Sob a chefia do marechal Deodoro, foi instalado um governo provisório, que convocou uma assembléia constituinte para elaborar a primeira constituição republicana, promulgada em 1891. Os governos do marechal Deodoro, e, depois, do marechal Floriano Peixoto foram plenos de conflitos com o Legislativo e rebeliões, como as duas revoltas da Armada.
Com a eleição de Prudente de Morais, tem início a chamada “política do café com leite”, segundo a qual os presidentes da República seriam escolhidos dentre os representantes dos estados mais ricos e populosos -- São Paulo e Minas Gerais -- prática que foi seguida, quase sem interrupções, até 1930.
A economia agrário-exportadora continuou dominante. O café representava a principal riqueza brasileira, e os fazendeiros paulistas constituíam a oligarquia mais poderosa. As classes médias eram pouco expressivas e começava a existir um embrião de proletariado. Por ocasião da primeira guerra mundial (1914--1918), ocorreu um surto de industrialização, em função da substituição de importações européias por produtos fabricados no Brasil.
A partir da década de 1920, o descontentamento dos militares explodiu em uma série de revoltas, destacando-se a marcha da coluna Prestes, entre 1924 e 1927, que percorreu grande parte do Brasil. As oligarquias alijadas do poder central também se mostravam insatisfeitas. Quando ocorreu a crise de 1929 -- iniciada com o crash da bolsa de Nova York --, com seus reflexos negativos sobre os preços do café, a desorganização da economia, as divergências político-eleitorais das oligarquias dominantes e as aspirações de mudança de amplos setores da sociedade provocaram a deflagração da revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

 

República Nova

Sob a chefia de Getúlio Vargas, foi instaurado um governo provisório que durou até 1934. Embora vitorioso sobre a revolução constitucionalista de 1932, ocorrida em São Paulo, Vargas viu-se obrigado a convocar uma assembléia constituinte, que deu ao país uma nova constituição (1934), de cunho liberal.
Em 1935, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) promoveu uma revolta militar, conhecida como intentona comunista. Aproveitando-se de uma conjuntura favorável, Vargas deu um golpe de estado, em 1937, fechando o Congresso e estabelecendo uma ditadura de cunho corporativo-fascista, denominada Estado Novo, regida por uma carta outorgada, de caráter autoritário. Vargas governou até 1945, quando foi deposto por novo golpe militar.
Durante seu governo, incentivou-se a industrialização, inclusive com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional, foi estabelecida uma legislação trabalhista, reorganizou-se o aparelho administrativo do Estado, com a criação de novos ministérios, e cuidou-se da previdência social, entre outros melhoramentos.
Terceira República. As eleições de 1945 apontaram o general Eurico Gaspar Dutra como o novo presidente da República. Em seu governo, o Brasil ganhou uma nova constituição, foi modernizada a estrada de rodagem entre o Rio de Janeiro e São Paulo (rodovia Presidente Dutra) e começou o aproveitamento hidrelétrico da cachoeira de Paulo Afonso.
Nesse período, firmaram-se os três grandes partidos que tiveram importância na vida política brasileira até a deflagração do movimento militar de 1964: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi posto na ilegalidade.
Em 1951, Vargas, candidato do PTB, voltou ao poder, eleito pelo voto popular. Em seu segundo governo, destacou-se a criação da Petrobrás, empresa estatal destinada a monopolizar a pesquisa, extração e refino do petróleo. Foi um período conturbado, que teve no atentado da rua Tonelero (dirigido ao jornalista Carlos Lacerda, mas em que morreu um oficial da Aeronáutica) um dos seus episódios mais importantes. Pressionado pelas classes conservadoras, e ameaçado de deposição por seus generais, Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954.
A eleição de Juscelino Kubitschek de Oliveira, candidato do PSD, inaugurou a era do desenvolvimentismo. Durante seu governo, orientado pelo Plano de Metas, construiu-se a nova capital, Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960; foram abertas numerosas estradas, ligando a capital às diversas regiões do país, entre as quais a Belém--Brasília; implantou-se a indústria automobilística; e foi impulsionada a construção das grandes usinas hidrelétricas de Três Marias e Furnas. A sucessão presidencial coube a Jânio Quadros, apoiado pela UDN, que, após sete meses de governo, renunciou.
A subida de João Goulart ao poder contrariou as classes conservadoras e altos chefes militares. No início de seu governo, o Brasil viveu uma curta experiência parlamentarista, solução encontrada para dar posse a Goulart. Foi um período marcado por greves e intensa agitação sindical. O presidente terminou sendo deposto pelos militares, com apoio da classe média, em 1964.
Regime militar. Os governos militares preocuparam-se sobretudo com a segurança nacional. Editaram vários atos institucionais e complementares, promovendo modificações no funcionamento do Congresso e tomando medidas de caráter econômico, financeiro e político. Os partidos políticos tradicionais foram extintos, e criadas duas novas agremiações políticas, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em 1967, promulgou-se nova constituição, que estabeleceu um poder executivo ainda mais forte. Com o crescimento da agitação estudantil e operária, foi editado o Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso. Em 1969, a Emenda Constitucional nº 1 deu ao país praticamente uma nova carta política.
No campo do desenvolvimento econômico, as atenções dos governantes e dos tecnocratas voltaram-se prioritariamente para o combate à inflação, que atingira níveis alarmantes; para a construção de obras de infra-estrutura, sobretudo nas áreas de transportes -- como a rodovia Transamazônica e a ponte Rio--Niterói (oficialmente, ponte Presidente Costa e Silva) --, de comunicações -- com a implantação do sistema de comunicação por satélite -- e de energia, com a construção da usina hidrelétrica de Itaipu -- por meio de um convênio com o Paraguai -- e com a assinatura de um acordo com a Alemanha para a construção de usinas nucleares.
O governo Geisel iniciou um processo de abertura democrática, lenta e gradual, desembocando na anistia política, que permitiu a volta ao país de numerosos exilados. Em seguida à anistia, veio o fim do bipartidarismo, e foram criados vários partidos políticos. No final da década de 1970, o movimento popular e sindical tomou um novo alento, o que levaria, nos primeiros anos da década seguinte, ao movimento das “diretas já”, que, embora não fosse vitorioso, permitiu em 1985 a eleição indireta pelo Congresso de Tancredo Neves, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), para a presidência da República. Com a morte de Tancredo Neves, na véspera da posse, assumiu seu vice-presidente, José Sarney.

 

Nova República

O governo Sarney teve como fato econômico mais importante a implantação do Plano Cruzado, com vistas a combater a inflação pelo congelamento de preços e da troca da moeda. O fato político marcante do período foi a eleição de uma assembléia nacional constituinte, que em 1988 deu ao Brasil uma nova constituição. O fracasso do plano econômico e a corrupção generalizada contribuíram para polarizar as preferências eleitorais em 1989 em torno das candidaturas de Fernando Collor de Mello, apoiado por poderosas forças políticas, e Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores.
A vitória de Fernando Collor provocou uma euforia momentânea, logo dissipada pelo fracasso dos sucessivos planos econômicos e pelas denúncias de corrupção que atingiam figuras próximas ao presidente. Depois de intensa movimentação popular, Collor foi afastado do governo, em 1992, pelo processo de impeachment, conduzido pelo Congresso Nacional.

 

Quadro atual

O Presidente Itamar Franco, sucessor de Fernando Collor, contou com vasto apoio parlamentar e popular. Seus objetivos principais eram combater a inflação, retomar o crescimento econômico e diminuir a pobreza do povo brasileiro. O sucesso das medidas econômicas permitiu a eleição do criador do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, que conquistou a Presidência da República, e foi presidente por dois mandatos, de 1995 a 1998 e de 1999 a 2002.
Em 27 de outubro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito Presidente da República Federativa do Brasil com quase 53 milhões de votos, e, em 29 de outubro de 2006 é reeleito com mais de 58 milhões de votos (60,83% dos votos válidos).
No dia 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil, cargo a ser ocupado pela primeira vez na história do país por uma mulher. Dilma Roussef obteve 55.752.529 votos, que contabilizaram 56,05% do total de votos válidos. Em seu pronunciamento oficial após vencer as eleições disse: “Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e dar oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem.”

Aspectos culturais e turísticos

A arquitetura colonial brasileira apresenta exemplos de riqueza e originalidade, graças ao impulso inicial dado pelos jesuítas, que foram responsáveis pela construção de numerosas igrejas e produziram obras de arte que constituem boa parte da riqueza arquitetônica e artística do país.
Algumas cidades e lugares históricos ou de interesse ambiental foram declarados pela UNESCO patrimônio cultural da humanidade: o centro histórico de Salvador, compreendendo o Terreiro de Jesus (Pelourinho), na Bahia; Olinda, em Pernambuco; Ouro Preto, em Minas Gerais; Brasília, a capital federal; as ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul; o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais; e os parques nacionais da Serra da Capivara, no Piauí, e de Iguaçu, no Paraná. Entre as cidades históricas, também merecem destaque Parati, no Rio de Janeiro, célebre pelo seu casario, e Aparecida, em São Paulo, considerada cidade-santuário do Brasil.
Na antiga zona aurífera de Minas Gerais encontram-se os melhores exemplos da arte barroca, tanto na decoração do interior dos templos religiosos, como nas esculturas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Ouro Preto, Tiradentes, Congonhas e São João Del Rei são típicas cidades coloniais mineiras. Modernamente, o maior exemplo da arquitetura brasileira é Brasília, obra de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

 

Instituições

O impulso cultural inicial foi dado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Datam dessa época a atual Biblioteca Nacional, o Museu Nacional, o mais importante da América do Sul para o estudo das ciências naturais e antropológicas, e o Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. 
Ainda nessa cidade, podem ser encontrados o Museu Histórico Nacional, típico do estilo barroco-rococó, o Palácio Gustavo Capanema, cujo traço se deve ao arquiteto francês Le Corbusier, o Museu Nacional de Belas-Artes, o Museu de Arte Moderna, exemplo da arquitetura contemporânea, e o Teatro Municipal. O Museu Imperial, em Petrópolis RJ, contém rico material sobre o período monárquico.

Tancredo de Almeida Neves

Tancredo de Almeida Neves (15/03/1983 a 14/08/1984)
Natural de São João del Rei, nasceu em 4 março de 1910 e faleceu em 21 de abril de 1985. Filho de Francisco de Paula Neves e Antonina de Almeida Neves.
Formação: Bacharel em Direito pela Universidade de Minas Gerais
Trajetória
Tancredo Neves, um dos mais expressivos nomes da política nacional contemporânea, começou seus estudos em São João del Rei. Depois, transferiu-se para Belo Horizonte para cursar Direito. Ao concluir o curso, o jovem bacharel em Direito retorna a sua cidade e ali começa sua carreira profissional e política. Era época também de constituir família, casou-se em 1938 com Risoleta Tolentino, mineira de Cláudio, com quem teve três filhos: Inês Maria, Maria do Carmo e Tancredo Augusto.
Sua carreira política é interrompida em 1937 com a ascensão do Estado Novo. Voltaria à atividade política só em 1945 com a queda de Getúlio Vargas. A partir daí, Tancredo Neves iria participar ativamente da vida política do país até a sua morte, sendo o único político brasileiro a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro. "Tenhamos fé em todos estes fatores de confiança, e esperemos que o povo brasileiro, através deste órgão da soberania nacional, confie, igualmente, na ação deste Governo, chamado à prestação de serviço tão grave e árduo quanto empolgante. Poremos, na sua execução, todas as disponibilidades de trabalho, de dedicação, de estudo e ação de que formos capazes, certos de que o momento assim o exige do Governo e de todos os governantes." Discurso de Posse - 28 de setembro de 1961.
Em 1984, Tancredo aceitou o desafio de se candidatar à Presidência da República e, com o apoio de Ulysses Guimarães, venceu as eleições em 15 de janeiro de 1985. "Restaurar a democracia é restaurar a República. É edificar a Nova República, missão que estou recebendo do povo e se transformará em realidade pela força não apenas de um político, mas de todos os cidadãos brasileiros". Discurso de novembro de 1984, em Vitória, Espírito  Santo, quando lançou a Nova República.
Foi eleito o primeiro presidente civil em mais de 20 anos. Apesar de indireta, a eleição de Tancredo foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros. No entanto, Tancredo não chegou a assumir a Presidência. Na véspera da posse, foi internado no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais e José Sarney toma seu lugar interinamente no dia seguinte, em 15 de março de 1985. Depois de sete cirurgias, faleceu vítima de infecção generalizada. Deu-se uma comoção nacional, tantas as esperanças que haviam sido depositadas em Tancredo.
Pela Lei nº 7.465, de 21.04.1986, no artigo 1º, determinou-se que 'o cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo  de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais.
Atividades
·         Advogado
·         Promotor da Comarca de São João del Rei
·         Vereador, presidente da Câmara e prefeito em exercício de São João  del Rei
·         Deputado Estadual - 1947 a 1951
·         Deputado Federal - 1951 a 1953  /  1966 a 1978
·         Ministro da Justiça - 1953 a 1954
·         Diretor do Banco de Crédito Real - 1954
·         Diretor da Carteira de  Amortização do Banco do Brasil - 1956
·         Presidente interino do Banco do Brasil (no mandato de Juscelino Kubitschek)
·         Secretário de Finanças do Estado de Minas Gerais - 1958
·         Primeiro Ministro  - 1962
·         Senador -1978
·         Governador de Minas Gerais - 1983
·         Presidente do Brasil - 1985       

Diretas Já


diretas_ja_tancredo_nevesEm 1984, o País viveu o maior período de manifestações públicas de sua história, com o movimento das Diretas Já, que exigia a escolha do presidente da República pelo voto popular. Então governador de Minas, Tancredo participou com destaque dos principais palanques da campanha, ao lado de Ulysses Guimarães, batizado de Senhor Diretas, Franco Montoro, Leonel Brizola, Luís Inácio Lula da Silva, Mário Covas, Miguel Arraes e Fernando Henrique Cardoso, entre outros. Desde 1960, os brasileiros não votavam para presidente, vetado com o golpe militar de 1964. A mobilização das multidões se deu em defesa de uma emenda constitucional, proposta pelo deputado Dante de Oliveira, do Mato Grosso, para restabelecer a escolha pelo sufrágio universal.

Entretanto, em 25 de abril, para grande frustração nacional, a emenda Dante de Oliveira não foi aceita na Câmara dos Deputados. Manteve-se, assim, a eleição indireta para o sucessor de Figueiredo. A derrota da emenda se deu em meio a forte pressão do governo federal sobre o Congresso Nacional, que chegou a incluir a ocupação militar e a decretação de estado de emergência em Brasília.

Após a derrota da emenda, Tancredo Neves foi o candidato das oposições, lançado pelo PMDB para construir uma Nova República, segundo slogan da época. Formou-se a chapa Aliança Democrática, tendo como vice o senador José Sarney, que rompeu com o governo militar, junto com o vice-presidente Aureliano Chaves e o senador Marco Maciel, entre outros. O candidato dos militares foi o deputado Paulo Maluf, do PDS.

Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente da República, após vencer Paulo Maluf por 480 votos a 180, com 17 abstenções e 9 ausências, na votação do Colégio Eleitoral, em Brasília.

Tancredo martírio e morte

Ele seria o primeiro presidente civil depois da ditadura, mas passou mal e foi internado na véspera de sua posse. Trinta e oito dias depois, morreu sem assumir o cargo. Acompanhe os erros, mentiras e coincidências que envolveram a história que parou o Brasil
Sentado na primeira fila de bancos do santuário dom Bosco, em Brasília, o presidente eleito Tancredo Neves fechou os olhos, baixou a cabeça e levou a mão esquerda à testa, cobrindo o cenho carregado. Parecia o gesto típico de um devotado católico, porém, os que estavam mais próximos a ele perceberam que, por várias vezes, mostrando desconforto, Tancredo levara a mão direita à barriga por cima do paletó escuro, num disfarçado gesto de dor. Os mais atentos poderiam ter notado, ainda, a dificuldade com que levantara, minutos antes, para subir alguns degraus e ler uma passagem da Bíblia.
O fotógrafo Gervásio Batista, funcionário da Radiobrás, que acompanhava Tancredo desde seu tempo de governador em Minas Gerais, era um dos mais atentos. “Está tudo bem, presidente?”, indagou discretamente enquanto trocava o filme da máquina. “Eu estou rezando”, desconversou o presidente eleito, sem erguer a cabeça ou tirar a mão dos olhos.
Passavam alguns minutos das seis da tarde de quinta-feira, 14 de março de 1985. A data não poderia ser mais esperada. Às 10 horas da manhã seguinte, o primeiro presidente civil desde o golpe militar, deflagrado 20 anos antes, tomaria posse. Para alguns, era o fim da ditadura. Para os mais céticos, era pelo menos o começo do fim. “Tancredo simbolizava uma união do país pelo retorno da ordem democrática”, diz o historiador Marco Antônio Villa, doutor pela USP e professor da Universidade de São Carlos. “Em torno de sua candidatura levada ao colégio eleitoral – um sistema indireto de escolha do presidente, que reunia os membros do Congresso Nacional e representantes das Assembléias Legislativas dos estados – para enfrentar o candidato oficial, o então deputado federal Paulo Maluf, reuniu-se um arco de alianças comprometido com o fim das eleições indiretas e com a instalação de uma Assembléia Constituinte.”
Por tudo isso, era compreensível que em Brasília, enquanto Tancredo sofria de dores e rezava na igreja de dom Bosco, nas ruas o povo comemorasse, em êxtase cívico, a volta definitiva dos generais aos quartéis. As largas avenidas da cidade estavam cobertas de bandeiras, cartazes e faixas verde-amarelas. A música “Coração de Estudante”, composta por Wagner Tiso originalmente para homenagear outro mineiro, Teotônio Vilella, e que ficou famosa na voz de Milton Nascimento, tornou-se uma espécie de hino patriótico em louvor a Tancredo. E tocava a todo instante no rádio e na tevê e era cantada e assobiada por milhares de brasileiros.
À saída da igreja, abatido, sempre apalpando a própria barriga, Tancredo evitou falar com os jornalistas e dispensou os cumprimentos dos convidados para a missa que acabara de ser celebrada em sua homenagem. “Ele caminhou com dificuldade até o carro. Seus dedos estavam trêmulos e o rosto ardia em brasa”, diz Gervásio, que acompanhou toda a cena (incluindo o diálogo que abriu esta matéria). Conhecido pelo inabalável bom-humor, não distribuiu sorrisos como de costume. Uma febre de 40 graus tomava conta de seu corpo.
Naquela noite, o país foi dormir ansioso com o prenúncio de novos tempos. Nas primeiras horas do dia, veio a notícia tão terrível quanto inacreditável. Tancredo Neves havia sido internado às pressas no Hospital de Base de Brasília e submetido a uma cirurgia de emergência. No princípio, informou-se que Tancredo sofrera uma crise de apendicite. Por fim, os médicos declararam que haviam extraído um divertículo de Meckel, espécie de obstrução no intestino, o popular “nó-nas-tripas”.
Os brasileiros caíram em estado de torpor e, ao mesmo tempo, de desconfiança. O que realmente acontecera entre a aparição pública na missa e a fatídica madrugada de 15 de março? Ao aparente absurdo da situação somou-se a avalanche de informações médicas desencontradas. O prato estava cheio para as fábricas de boatos e teorias conspiratórias que infestam Brasília. As suspeitas de que Tancredo sofrera um atentado se multiplicavam, nas mais variadas versões. Umas davam conta de que ele havia sido vítima de envenenamento e houve quem jurasse ter ouvido o som de um tiro nas imediações da Granja do Riacho Fundo, residência oficial do presidente eleito.
Mal antigo
Nada disso. O mal que acometera Tancredo e abatera o país não foi súbito. Tampouco inevitável. “Desde junho do ano anterior, pouco antes de afastar-se do governo de Minas para se dedicar à campanha presidencial, Tancredo vinha sentindo mal-estares e fortes dores na barriga”, diz Aécio Neves, atual governador de Minas Gerais, neto de Tancredo e um dos que acompanharam de perto toda a doença do avô. Tratado com paliativos – aspirinas e antibiótico Keflex –, o quadro se agravou. Sete meses depois, em janeiro, já na condição de presidente eleito, Tancredo sofreu uma crise. “Quando viajava da Espanha para os Estados Unidos, o aeroporto de Nova York foi mobilizado para postar uma ambulância na pista, destinada a atender Tancredo, que não passou bem durante o vôo”, diz o senador José Sarney, vice da chapa que elegeu Tancredo. A doença, ainda sem diagnóstico, foi mantida sob absoluto sigilo, por recomendações expressas do próprio paciente. “Ele temia que a notícia sobre sua saúde desestabilizasse o delicado processo de redemocratização do país”, afirma Aécio Neves. Sarney compartilha dessa opinião. “Ele imaginava que os quartéis podiam aproveitar-se da situação e prolongar o mandato do último dos generais-presidentes, João Baptista Figueiredo, dando uma sobrevida ao regime militar.”
Porém, na terça, dois dias antes da posse, as dores ficaram insuportáveis e o médico Renault Mattos Ribeiro foi chamado às pressas. Além de cólicas, Tancredo sentia calafrios. O médico colheu amostras de sangue e encomendou uma bateria de exames, que, ele suspeitava, indicaria a necessidade de uma cirurgia de urgência. A idade, 75 anos, era um agravante. “Eu não posso me submeter a essa cirurgia. O senhor já imaginou o que acontecerá com o país?”, teria dito Tancredo ao médico, segundo Aécio Neves.
Oficialmente, a visita do médico e a fadiga do presidente eleito foram atribuídas a uma faringite. “Ele tem ótima saúde”, disse Renault ao jornal O Estado de São Paulo, no dia que o examinou. “Estou muito bem, obrigado”, garantiu ao mesmo jornal o próprio paciente, disfarçando os sintomas, ao deixar sua casa na tarde daquela terça, rumo a uma reunião com seus assessores.
Na quarta, dia 13, o resultado dos exames indicou uma grave infecção. A taxa de leucócitos, que em um organismo saudável fica na faixa dos 6 mil por mililitro de sangue, alcançara a marca de 13,4 mil por mililitro. Pularia para 27 mil por mililitro em poucas horas. A cirurgia tornou-se inevitável. Tancredo, contudo, relutava. “Até sexta-feira, dia da posse, não posso ir para o hospital. Depois, façam de mim o que quiserem”, teria dito, segundo relato de Aécio Neves. Porém, na noite de quinta-feira, Tancredo piorou. Sentia dificuldades para respirar e as pontas dos dedos começavam a ficar roxas, sinais de que a infecção se alastrava. Chamado de volta, doutor Renault levou com ele o cirurgião Francisco Pinheiro da Rocha. Encontraram o paciente na cama, vestido com um robe cor de vinho sobre o pijama azul claro. “Pálido, ele tremia da cabeça aos pés”, diz Renault. “E ainda assim não admitia ser levado para a cirurgia.”
Com a ajuda da família e com a desculpa de que era preciso aplicar-lhe um soro para recuperar as forças, os médicos convenceram-no a calçar um par de pantufas, colocaram-no no banco traseiro de seu Ford Landau preto e, ao lado da mulher, Risoleta Neves, o levaram ao Hospital de Base de Brasília.
Plantão médico
O que se seguiu, a partir daí, foi uma inacreditável sucessão de erros, desencontros e trapalhadas que faria corar os roteiristas daqueles seriados médicos de TV. Poucos minutos depois da meia-noite, metade da equipe médica, devidamente paramentada, aguardava Tancredo no centro cirúrgico localizado no subsolo do hospital, enquanto a outra metade o conduzia, de maca, pelo elevador, para o segundo andar, onde ficava outra sala de cirurgia, próxima à UTI. Pelo interfone, os médicos não conseguiam chegar a um consenso sobre o local mais adequado para fazer a operação. O impasse durou cerca de 10 minutos. Enquanto isso, Tancredo assistia a tudo, estirado numa maca, com o corpo vestido apenas com a bata cirúrgica e coberto por um lençol.
A notícia de que Tancredo estava sendo hospitalizado espalhou-se imediatamente pela madrugada da capital federal. Logo uma romaria de políticos tomou o caminho do hospital, a maioria deles em trajes de festa, saídos de alguma das muitas comemorações que se realizavam naquela noite. Vindos da rua, alguns trocaram o paletó pelo jaleco e entraram direto para assistir à operação, iniciada aos 37 minutos do dia 15. “Havia cerca de 30 pessoas dentro da sala de cirurgia”, lembra Aécio Neves. O número elevado de curiosos multiplicava os riscos de uma infecção hospitalar.
Ao final da operação, os médicos comemoraram o que consideraram um sucesso e informaram ter retirado um divertículo do abdômen de Tancredo. Era mentira. A peça extraída do intestino do presidente eleito, medindo cerca de seis centímetros, era um mioma, um tumor. “Assumo a responsabilidade pelo falso laudo de divertículo”, diz o médico Élcio Miziara, hoje professor aposentado da Universidade de Brasília e, na época, encarregado de fazer a biópsia do material. “O exame indicou que se tratava de um tumor. Era benigno, mas imaginamos que a simples menção ao ‘tumor’ geraria pânico em todo o país”, diz Élcio (que anos depois acabaria punido pelo Conselho Federal de Medicina). Segundo ele, tudo foi feito com o consentimento da família. Neto de Tancredo, Aécio nega o fato: “A família acreditou na história do divertículo. Os médicos tomaram a decisão de divulgar um laudo falso por conta própria”, afirma.
Mas havia um problema muito mais urgente a enfrentar. O convalescente Tancredo não poderia ir à sua própria posse, que ocorreria dali a cinco horas. Com pouca gente sabendo da verdade, às 10 horas da manhã de15 de março, José Sarney assumiu como o primeiro presidente civil em 20 anos. Garantida a posse, tratou-se, então, de enganar o povo.
Os boletins médicos, lidos pelo jornalista Antônio Brito, porta-voz de Tancredo, pintavam um quadro otimista, de franca recuperação, quando na realidade ele definhava. A taxa de leucócitos continuava a subir e, durante a operação, foi registrada uma parada respiratória. Com a confiança nos médicos de Brasília abalada, a família decidiu pela formação de uma junta médica, para tentar deter o avanço do quadro infeccioso. De São Paulo, chegou Henrique Walter Pinotti, que logo se indispôs com os médicos locais. São atribuídas a ele insinuações que vazaram para a imprensa de que teria havido negligência e imperícia durante a cirurgia.
Enquanto a trupe de branco batia cabeça, Tancredo retornou à sala de operação, em 20 de março. A segunda cirurgia, comandada por Pinotti e prevista para durar 180 minutos, estendeu-se por mais de cinco horas. Mas a infecção não cedeu. Seis dias depois, após sofrer hemorragias, Tancredo foi transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, onde passaria por mais cinco operações. O país prendeu a respiração.
Foram 38 dias de agonia, durante os quais o país praticamente parou para acompanhar pela TV o calvário do presidente eleito. Uma multidão montou guarda à frente dos portões do hospital para velar, chorar e orar pela saúde dele. Em uma onda de ecumenismo sem precedentes na história da política brasileira, católicos, evangélicos, espíritas, judeus, muçulmanos, umbandistas, videntes, pais-de-santo e esotéricos de todos os matizes fizeram suas preces e, juntos, pediam pelo seu restabelecimento.
Enquanto o povo rezava lá fora, Tancredo agonizava na UTI, cercado por equipamentos, responsáveis por manter suas funções vitais. “Doutor, chega, me tirem desta máquina”, teria dito em um de seus últimos momentos de lucidez, antes de ser sedado e receber 11 tubos, segundo relato de Antônio Britto.
O desespero chegou a ponto de se recorrer ao sobrenatural. A pedido da família de Tancredo, foi chamado um religioso catarinense, Frei Ungolino, que dizia trabalhar com “bioenergia” e curas com o toque das mãos. Os cirurgiões, que àquela altura já haviam esgotado seus recursos, autorizaram o acesso de Ungolino à UTI. Um segundo guru, o “mentalizador” Thomas Green Morton, que dizia entortar garfos e transformar cédulas de cruzeiro em dólar, também quis ver Tancredo, mas foi impedido.
Por fim, em 20 de abril, chegou a São Paulo o médico americano Warren Zapol, especialista do Hospital Geral de Massachusetts. Segundo Britto, após o primeiro exame em Tancredo,ele teria dito: “O homem está morrendo”.
Às 22h30 do dia seguinte, Britto, com um nó na garganta e quase às lágrimas leu diante da TV a notícia lacônica, de apenas 21 palavras, cujo esboço já havia redigido 12 dias antes: “Senhores, lamento informar que o Presidente Tancredo Neves faleceu às 22h23 de hoje”. O país inteiro chorou. Era domingo, 21 de abril, dia de Tiradentes.
No caixão, ao contrário das tradicionais mãos postas do sepultamento cristão, o corpo foi colocado com os braços estendidos ao longo do corpo, para que os dedos arroxeados, que já apresentavam sinais de necrose, ficassem encobertos por flores. Uma multidão de cerca de 2 milhões de pessoas acompanhou, nas ruas de São Paulo, o cortejo que levou o corpo de Tancredo até o aeroporto, de onde seguiu com destino a São João Del Rei, sua cidade natal.
Nessa história cercada por controvérsias e dissimulações, correu ainda a suspeita de que Tancredo Neves não teria morrido em 21 de abril, mas um dia antes, na noite de 20 de abril, quando seu cérebro deixara de funcionar. O anúncio da morte teria sido adiado para coincidir com a data simbólica, aproximando as figuras históricas de Tancredo e Tiradentes, dois mártires que Minas deu à história nacional. Dois anos depois do ocorrido, tal versão seria sustentada em uma reportagem da Veja, amparada por uma declaração de um dos médicos que teria acompanhado o estado clínico de Tancredo até o fim. Indagado a respeito, 20 anos depois, José Sarney balança a cabeça, negativamente: “Esta é uma daquelas histórias que nunca ninguém jamais conseguirá confirmar”.

Posse polêmica

Acordos sigiliosos garantiram Sarney na presidência
“Pode se preparar. O senhor vai assumir o governo.” Foi assim que o médico Renault Mattos Ribeiro, que examinou Tancredo no dia anterior, deu a notícia sobre a gravidade da doença do presidente eleito a José Sarney, na tarde de 14 de março de 1985. “Do que você está falando?”, disse Sarney. Pela manhã, ele estivera com Tancredo e, na ocasião, estranhou as mãos frias e o cachecol no pescoço, apesar da temperatura amena que fazia em Brasília.
Só à noite, quando recebeu uma ligação confirmando a internação de Tancredo, Sarney compreendeu o que lhe dissera o doutor Renault. Sarney correu para o hospital, onde encontrou-se com o deputado Ulysses Guimarães, líder do PMDB, ex-MDB, principal partido de oposição ao regime militar. Foi quando ouviu pela primeira vez a questão que àquela altura pairava no ar: com o impedimento de Tancredo, quem deveria assumir a presidência? Porém, pouco antes de sair de casa para ser internado, o próprio Tancredo já se preocupava com isso. Seu sobrinho, Francisco Dornelles, ex-diretor da Receita Federal e escolhido para ser o ministro da Fazenda, disse-lhe que o chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu, e o próprio presidente Figueiredo haviam lhe garantido, pelo telefone, que ninguém impediria a posse de Sarney.
Era mentira, mas foi a única forma de convencer Tancredo a concordar com a cirurgia. Ele achava que, uma vez operado e impedido de tomar posse, seu vice, José Sarney, não poderia ser considerado seu substituto legal. E pela estrita forma da lei, Tancredo tinha razão. “Foi preciso fazer um acordo de cavalheiros para chegar a uma solução imediata, livre das interpretações da Constituição e dar posse a José Sarney”, diz o historiador Marco Antônio Villa. Restava o medo de virada de mesa. Sarney, ex-presidente do PDS, partido de sustentação do regime militar, passara a ser considerado um traidor nos quartéis após mudar de lado e aderir aos oposicionistas. Ulysses, presidente da Câmara dos Deputados, seria a primeira alternativa na linha sucessória, mas havia igualmente o temor de que os militares não topariam que um adversário histórico do regime envergasse a faixa presidencial. “Naquela noite no hospital, Ulysses não fincou pé para assumir o cargo, receando que o fato de não se dar posse ao vice poderia sugerir que a eleição não valera e que, assim, seria necessário novo embate no colégio eleitoral”, diz Sarney. Ficou acertado que o melhor era, assumindo um risco calculado, garantir a posse de Sarney. Por se julgar parte interessada, ele foi para casa, enquanto as negociações para arranjar o apoio de congressistas, de notórios constitucionalistas e de membros do STF continuaram no meio da madrugada. Às três da manhã, Sarney recebeu uma ligação do general Leônidas Pires Gonçalves, comandante do 3º Exército e principal interlocutor entre Tancredo e as Forças Armadas. Amigo pessoal de Sarney, com quem se reunia, de forma secreta e sistemática em Brasília, o general telefonou para dizer que ele e Leitão de Abreu haviam defendido a posse de Sarney numa conversa com Figueiredo e com o ministro do Exército, Walter Pires.
Leônidas relatou o encontro. “Alto lá, vou me reunir com meus comandados para deliberarmos o assunto”, teria dito Pires. “Desculpe-me, mas o senhor não comanda mais nada, a exoneração dos ministros do governo acaba de ser publicada”, teria respondido Leitão de Abreu, que era simpatizante da chapa Tancredo-Sarney e havia antecipado em um dia o desligamento do ministério. “Quem manda nos quartéis agora é o general Leônidas, que será o novo ministro do Exército”, teria garantido Leitão de Abreu a Walter Pires, que foi obrigado a vestir o pijama mais cedo. Figueiredo, porém, recusou-se a ir à cerimônia de posse e, assim, evitou passar a faixa a Sarney, que se tornou presidente às 10 horas da manhã do dia 15. A Nova República, ironicamente, começava com um dos nomes de proa do regime anterior no comando.

"O homem estava vivo"

Última foto é cercada de polêmica até hoje
Na foto, Tancredo é quem menos ri. Cercado pelos médicos, ao lado da mulher Risoleta, ele olha para a câmera e se esforça para aparentar, pelo menos, um ar tranqüilo.
Na manhã de 25 de março, vestindo robe de chambre sobre o pijama e uma echarpe em volta do pescoço, ele foi levado numa cadeira de rodas até uma sala previamente preparada. Juntaram-se três sofás em forma de “U” e, ao lado, colocou-se um arranjo floral, no qual dona Risoleta deu seu toque pessoal, arrumando as flores mais vistosas para frente. Foi o porta-voz Antônio Britto quem dirigiu a cena, imaginando o efeito positivo que uma imagem de Tancredo fora da cama teria para o país. “Chegou um momento em que era preciso mostrar que o homem estava vivo”, afirma Britto no livro, Assim Morreu Tancredo. Segundo ele, o circo todo levou 15 minutos. No entanto, Gervásio Batista, que clicou a cena, calcula que levou quase uma hora para fazer o trabalho. O tempo que Tancredo, um paciente de 75 anos ficou sentado, sorrindo para os flashes após ser submetido a duas cirurgias, é só uma das controvérsias que, ainda hoje cercam aquela foto. Ao chegar à sala, Tancredo tinha duas sondas injetadas no corpo, uma de soro e outr de alimentação parenteral. “O presidente eleito se acomodou no sofá do centro, a enfermeira colocou os dois frascos no chão, atrás do sofá, e saiu de cena”, diz Brito. Na época, a Veja publicou uma versão diferente. Segundo a revista, a enfermeira que conduzira Tancredo do leito até a sala, teria ficado escondida, agachada por trás do sofá, segurando os frascos de soro. “A descrição da cena nos foi confirmada por dois dos médicos que aparecem na foto, além da própria dona Risoleta, que admitiu que todo o cenário fora forjado”, diz o jornalista Augusto Nunes, hoje diretor de redação da revista Forbes e, em 1985, redator-chefe da Veja. “Isso é bobagem, não havia espaço para ninguém ali atrás, essa idéia de que a foto foi montada é completamente maluca ”, afirma o fotógrafo Gervásio Batista.
O fato é que, por volta das quatro horas da tarde, no mesmo instante em que Britto distribuía cópias das fotos para a imprensa, Tancredo sofreu uma violenta hemorragia, perdendo litros de sangue pelo reto. À aparente melhora da manhã, que havia motivado a idéia da fotografia, seguiu-se uma das piores crises daqueles primeiros 10 dias de internação. Às 20h30, houve novo sangramento. À meia-noite, a hemorragia ainda não havia cedido. Resultado: na manhã seguinte, quando a foto apareceu estampada em todos os jornais do país, Tancredo estava, na verdade, sendo transferido, em estado gravíssimo, para São Paulo. Era inevitável que a população se sentisse vítima de uma escabrosa mentira. “Foi uma coincidência brutal”, afirma Antônio Britto.


A História de Tiradentes

Nasceu em Pombal, atualmente Tiradentes, Minas Gerais, e morreu no Rio de Janeiro. Tiradentes, apelido de Joaquim José da Silva Xavier, foi o principal líder da Inconfidência Mineira, movimento libertário que ocorreu na então Vila Rica, hoje Ouro Preto, Minas Gerais, em 1789.
Descendente de família de condição média, pequenos fazendeiros, teve seis irmãos. Quarto filho, ficou órfão aos 11 anos. Não teve estudos regulares, porém recebeu influência do padrinho, que era cirurgião e clinicava, revelando desde cedo inteligência viva e versátil. Lia tudo que encontrava; interessava-se por curativos, receitas e sobretudo pela prática de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Espírito prático e inventivo, tentou a mineração, sem êxito, mas veio a ser técnico no reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos, o que foi reconhecido pela autoridade que o designou para tarefas importantes, por sua “inteligência mineralógica”.
Projetou canalizar as águas dos rios Andaraí e Maracanã para resolver o problema de abastecimento que, já naquela época, angustiava a população do Rio de Janeiro. Foi tropeiro e comerciante.
Como soldado, não conseguiu fazer carreira, permanecendo no posto de alferes, sempre preterido nas promoções.
Como estudioso leu os filósofos franceses, o que deve ter deixado influências fortes nas suas convicções, sobretudo o que dizia respeito à abolição da escravatura (ver Escravidão africana), à independência do domínio colonial e à instalação de um governo republicano (ver Brasil republicano).
Conhecia em profundidade a constituição norte-americana. Seu plano era provocar uma revolta que conseguisse a independência do Brasil, e a criação de uma República livre das restrições impostas à mineração, à fabricação e ao comércio de diamantes. Também pretendia a criação de uma universidade e o desenvolvimento de alguns benefícios sociais.
Em 1787 foi para o Rio de Janeiro, onde passou um ano tentando conseguir dinheiro para os seus planos. Retornou à Minas Gerais em agosto de 1788, reativando a pregação da qual resultaria o movimento libertário conhecido como Inconfidência Mineira. Dias antes conhecera José Álvares da Costa, filho do capitão-mor de Vila Rica, formado em Coimbra, que conhecia a Inglaterra e seu progresso industrial e falava do que se poderia obter no Brasil, caso houvesse a liberdade.
Multiplicaram-se os encontros em casas de pessoas eminentes, nas ruas e tavernas. Do movimento participavam pessoas de projeção como Cláudio Manoel da Costa, antigo secretário do governo; Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da Comarca e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. Pessoas do clero também apoiavam o movimento.
Eles queriam proclamar a república, adotar uma bandeira com o lema “Libertas quae será tamem” (liberdade, embora tardia), mudar a Capital para São João del-Rei, libertar os escravos e criar uma universidade.
Com o novo governador, Luís Antônio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena, vinha a derrama, a cobrança da enorme dívida, de quase 600 arrobas, pelos quintos atrasados. Os problemas tomavam-se cada vez maiores pois a produção do ouro diminuía e Portugal continuava cobrando altos impostos. Em Vila Rica (hoje Ouro Preto), a cidade à qual o povo por zombaria denominava Vila Pobre, estava atrasada no pagamento dos impostos, e o inicio da revolução foi marcado para a data em que o governo faria essa cobrança ou derrama.
Como a população não podia pagar, a propaganda do movimento da insurreição encontrou ambiente propício.
Mas a traição não tardaria. Em 15 de março de 1789, Silvério dos Reis foi ao palácio do governador e denunciou os companheiros. Barbacena suspendeu a derrama, tirando o maior triunfo dos conspiradores. Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro em abril e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo defendeu a causa republicana, admitindo voluntariamente ser o líder do movimento.
A rainha dona Maria I estabelecera que somente o principal responsável fosse sacrificado. A 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, cumpriu-se a sentença. Tiradentes foi publicamente enforcado e esquartejado. Seus restos foram colocados nos principais locais de suas pregações, sendo que sua cabeça foi exposta em praça pública em Vila Rica. Os demais participantes da Insurreição foram condenados ao degredo perpétuo ou temporário, outros absolvidos. A sentença dos membros do clero não sempre foi revelada.
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INDEPENDENCIA DO

DO BRASIL

Em 7 de setembro de 1822 foi declarada a Independência do Brasil, com o Grito do Ipiranga proclamado por Dom Pedro às margens do riacho Ipiranga.
O caminho para a independência do Brasil foi se estabelecendo com o “Fico” de D. Pedro em 9 de janeiro de 1822, quando contrariou ordens da Corte Portuguesa de voltar para Portugal devido à inquietação do povo que queria que ele ficasse no Brasil e até elaborou uma representação com coleta de assinaturas pedindo sua permanência, além de forte participação de José Bonifácio. Neste dia, D. Pedro, em resposta aos pedidos do povo, decidiu não obedecer às ordens portuguesas e disse a famosa frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Diga ao povo que fico!” Este dia ficou conhecido como Dia do Fico.
Em 7 de setembro, às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro, após receber uma carta de seu pai ordenando que voltasse para Portugal e outras duas, uma de José Bonifácio que o aconselhava a romper com Portugal e outra de sua esposa Maria Leopoldina de Áustria apoiando a decisão de José Bonifácio, devido às circunstâncias, pronunciou a frase: “Independência ou Morte!”. Assim o laço de união política com Portugal foi rompido dando a Independência do Brasil.
Em 12 de outubro de 1822, D. Pedro recebeu o título de Imperador D. Pedro I, sendo coroado em dezembro.
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